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segunda-feira, 10 de junho de 2013

Ares

     Ares, na mitologia grega, é filho de Zeus e Hera. Ares foi muito cultuado em Esparta, uma das mais importantes Cidades-Estados da Grécia antiga. Embora muitas vezes tratado como o deus olímpico da guerra, ele é mais exatamente o deus da guerra selvagem, ou sede de sangue, ou matança personificada.
     Os romanos identificaram-no como Marte, o deus romano da guerra e da agricultura.



     Entre os helenos sempre houve desconfiança de Ares. Embora também a meia irmã de Ares, Atena, fosse uma entidade da guerra, a posição de Atena era de guerra estratégica, enquanto Ares tendia a ser a violência imprevisível da guerra. O seu lugar de nascimento e sua casa verdadeira foram colocados muito longe, entre os bárbaros e trácios belicosos, de onde ele se retirou depois que o seu caso com Afrodite foi revelado.
     Corvos e cães, animais que se alimentam dos cadáveres nos campos de batalha, são sagrados para Ares.


     Símbolos de Ares


     Ares tinha uma quadriga desenhada com rédeas de ouro para quatro (Ilíada v.352) garanhões imortais que respiravam fogo. Entre os deuses, Ares era reconhecido pela sua armadura de latão; ele brandia uma lança ou uma espada na batalha. Os seus pássaros agudos e sagrados eram a coruja de celeiro, o pica-pau, o bubo e, especialmente no sul, o abutre. De acordo com Argonáuticas os pássaros de Ares (Ornithes Areioi) eram um bando de pássaros que lançavam penas em forma de dardos que guardaram o templo das Amazonas do deus em uma ilha costeira no Mar Negro. Em Esparta, em uma noite ctônica de sacrifício de um cão a Enyalios ficou assimilado ao culto de Ares. O sacrifício poderia ser feito a Ares na véspera de uma batalha para pedir sua ajuda.


     Embora importante na poesia, Ares era raramente incluído no culto na Grécia antiga, salvo em Esparta, onde ele era propiciado antes da batalha, e, embora implicado no mito de fundação de Tebas, ele apareceu em poucos mitos.
     Em Esparta havia uma estátua do deus acorrentado, para mostrar que o espírito de guerra e vitória nunca deveria deixar a cidade. O templo a Ares na ágora de Atenas que Pausânias viu no século d.C. só tinha sido movido e rededicado lá durante o tempo de Augusto; na essência ele era um templo romano a Marte. O Areópago, "o monte de Ares" onde São Paulo pronunciou sermões, é situado em alguma distância da Acrópole; em tempos arcaicos era um terreno para disputas. A sua conexão com Ares, possivelmente baseado em uma etimologia falsa, pode ser puramente etiológica.



     Deimos, "o terror", e Phobos "medo", eram seus companheiros na guerra, crianças nascidas de Afrodite segundo Hesíodo. A irmã e companheira de assassinato de Ares era Eris, a deusa da discórdia ou Ênio, a deusa da guerra, derramamento de sangue e violência. Ele também foi assistido pelo deus menor da guerra Enyalios, seu filho com Ênio, cujo nome ("bélico", o mesmo significado que Ênio) também servia como um título do próprio Ares. A presença de Ares era acompanhada por Kydoimos, o demônio do estrondo da batalha, bem como o Makhai (Batalhas), o Hysminai (Carnificinas), Polemos (um espírito menor da guerra; provavelmente um epíteto de Ares, como ele não teve nenhum domínio específico), e a filha de Polemos, Alala, a deusa/personificação do grito de guerra grego, cujo nome Ares usou como o seu próprio grito de guerra. Sua irmã Hebe também desenhou banhos para ele.


     A fundação de Tebas

     Um dos papéis de Ares que era situado em terra firme na própria Grécia estava na fundação do mito de Tebas: Ares colocou um dragão para guardar uma nascente em Tebas (Pseudo-Apolodoro menciona que algumas versões diziam que o dragão era filho de Ares ), e este dragão foi morto por Cadmo, sendo o antepassado dos tebanos, já que os dentes do dragão foram semeados na terra como uma colheita da qual nasceram soldados totalmente armados, que lutaram até a morte, até que só sobraram cinco, quando Equionte, um deles, comandou que eles parassem de lutar. Os nomes destes semeados (espartos) eram Equionte, Udeu, Ctônio, Hiperenor e Peloro. Para propiciar Ares, Cadmo serviu um ano (equivalente a oito dos anos atuais) a Ares, e depois disso casou-se com Harmonia, a filha da união de Ares com Afrodite.



     Há vários filhos de Ares, Cicno (Kýknos) da Macedônia, que foi tão assassino que tentou construir um templo com as caveiras e os ossos de viajantes. Herácles matou esta monstruosidade abominável, gerando a ira de Ares, a quem o heroi feriu.

     Outros consortes de filhos de Ares incluem:

Aglauros
Alcippe
Afrodite (apesar de ser esposa de Hefesto)
Anteros (em algumas fontes )
Deimos("Pânico")
Eros (em algumas fontes)
Harmonia
Phobos ("Medo")
Cirene
Diómedes
Harpina (ou Sterope, segundo algumas contas)
Oenomaus
Otrera (Rainha das Amazonas)
Pentesiléia
Hipólita
Antíopa
Melanipe
Pyrene
Cicno
Biston
Astyoche
Ascalaphus e Ialmenus
Bistonis
Tereus
Reia Sílvia (mitologia romana)
Remo
Rômulo
Eriteia (uma das Hespérides, filhas de Atlas)
Eurytion
Mães desconhecidas
Melanippe
Thrax


     No conto cantado pelo bardo na sala de Alcínoo, o Deus do sol Hélio uma vez espiou Ares e Afrodite amando um ao outro secretamente na sala de Hefesto, e ele prontamente informou o incidente ao cônjuge Olimpíco de Afrodite. Hefesto conseguiu pegar o casal em flagrante, e para tanto, ele fez uma rede especial, fina e resistente como o diamante para pegar os amantes ilícitos. No momento apropriado, esta rede foi jogada, e encurralou Ares e Afrodite em um abraço apaixonado. Mas Hefesto ainda não estava satisfeito com a sua vingança — ele convidou os deuses Olimpos e deusas a examinar o casal infeliz. Por causa da modéstia, as deusas duvidaram, mas os deuses testemunharam a vista. Alguns comentaram a beleza de Afrodite, os outros opinavam em trocar de lugar ansiosamente com Ares, mas todos zombaram dos dois.   

     Uma vez que o casal foi solto, Ares, embaraçado, fugiu para longe à sua pátria, Trácia.
     Em um detalhe interpolado muito posterior, Ares põem o jovem Alectrião à sua porta para avisá-los da chegada de Hélio, como Hélio diria a Hefesto da infidelidade de Afrodite se os dois fossem descobertos, mas Alectrião adormeceu. Hélio descobriu os dois e alertou Hefesto. Ares ficou furioso com Alectrião e o transformou em um galo, que agora nunca esquece de anunciar a chegada do sol na manhã.


domingo, 2 de junho de 2013

Laio e Crisipo

     Laio, para quem não se lembra, é o pai do famoso Édipo. Contudo, não acredite que os males que se somaram sobre sua família vieram apenas da predição do oráculo. Laio, na juventude, foi afastado de sua cidade natal, Tebas, por conta do assassinato e usurpação do trono de seu pai.



     Segundo a tradição, apesar do rapto de adolescentes ter sido uma prática que encontrou o apogeu em Creta, teria sido iniciada em Tebas. A lenda do rapto de Crisipo, príncipe filho do rei Pélope, por Laio, na época príncipe tebano, teria originado o costume do seqüestro aos adolescentes, que se espalharia não só por Tebas e Creta, como também por Corinto. A lenda de Laio e Crisipo teria sido a primeira a abordar o homossexualismo na mitologia grega.

     Laio era filho de Lábdaco, rei de Tebas. Quando o pai morreu, o príncipe ainda era muito jovem para reinar, tendo Lico, fiel seguidor de Lábdaco, assumido a regência. Mas uma velha pendência entre o regente e os irmãos Anfião e Zeto, cuja mãe tinha sido maltratada por ele, fez com que perdesse o reino para os rivais. Com medo de ser morto pelos dois invasores, Laio fugiu para a Élida, sendo acolhido com honras pelo rei Pélope e por seu filho, o jovem Crisipo.



     Uma paixão avassaladora nasceu entre Laio e o virginal Crisipo. Às escondidas, os amantes vivem um amor intenso. Laio possui com furor o belo Crisipo, fazendo dele um homem. Quando o amor dos dois é descoberto, Laio teme a retaliação de Pélope, num ato desesperado, rapta Crisipo.

     É a única lenda que encontra uma certa oposição ao homossexualismo, vinda da parte de Pélope. Talvez por Laio também ainda ser muito jovem, quase adolescente, o que não era comum na pederastia grega, já que a iniciação era privilégio dos homens mais velhos e de posição social e cívica definidas. Ou talvez por Crisipo ser, entre os três filhos de Pélope, o seu preferido.

     Diante da perseguição do pai e do escarnecimento das pessoas, Crisipo, um jovem medroso e desestruturado pela descoberta da paixão, suicida-se, deixando Laio apenas com a dor da perda e perseguido por um ressentido e vingativo rei. Ao saber da morte do filho, Pélope dispara um grito de dor que ecoa por todos os reinos, lançando uma maldição sobre todas as gerações descendentes de Lábdaco, passadas, presentes e futuras.



     Assim, Laio encerra a sua primeira paixão, nutrida pelo frágil Crisipo. Volta para Tebas, reassume o poder, casando-se com a bela Jocasta, que lhe dará um filho, Édipo, que o matará e casar-se-á com a própria mãe. Foi o preço que Laio pagou por seu amor infeliz ao príncipe Crisipo, a maldição sobre a sua cabeça.

segunda-feira, 27 de maio de 2013

Édipo

     Édipo nasceu em Tebas e era descendente de seu mítico fundador, Cadmos. Seu avô foi Labdacos (o "coxo") e seu pai foi Laios (o "canhoto").
Laios casou-se com Jocasta e teriam sido felizes como reis de Tebas se não fosse um problema: não conseguiam ter filhos. Por essa razão, muito religiosos, foram consultar o Oráculo de Delfos.
No templo, a pitonisa délfica revelou que teriam um filho dentro de pouco tempo, mas que ele estava destinado a matar o pai e casar-se com a mãe.




     Quando Édipo nasceu, Laios lembrou-se do oráculo e mandou os servos matarem o bebê.
Levaram-no para uma a floresta, furaram-lhe os pés e o amarraram de ponta cabeça em uma árvore para ser devorado pelos animais selvagens.
Passaram por ali uns pastores de Corinto e o levaram. Deram-no aos reis de Corinto, que também sofriam por não ter um filho. O rei e a rainha adotaram-no como se fosse seu, e lhe deram o nome de Édipo, que quer dizer "pés furados". 


     Quando cresceu, Édipo começou a sentir-se diferente dos seus concidadãos e foi consultar o Oráculo de Delfos. Aí soube que estava destinado a matar o próprio pai e a casar-se com a mãe. Horrorizado, decidiu não voltar a Corinto, pegou uma carroagem e foi para bem longe.
Em uma estrada estreita, nas montanhas, encontrou uma carroagem maior na direção contrária. Tentou desviar-se mas os carros acabaram chocando-se de raspão. O cocheiro do outro carro xingou Édipo que, revoltado, o matou. Então o patrão do cocheiro avançou sobre Édipo, que o matou também. E continuou a viagem.


     Chegou a Tebas e encontrou a cidade consternada por dois problemas: o rei tinha morrido e um monstro, a Esfinge, estabelecera-se na porta da cidade propondo um enigma. Como ninguém sabia responder, a Esfinge ia matando um por um. Jocasta tinha oferecido sua mão a quem livrasse a cidade desse monstro.
Édipo foi enfrentar a Esfinge. Era um ser estranho, com corpo de leão, patas de boi, asas de águia e rosto humano. Seu enigma: O que é que tem quatro pés de manhã, dois ao meio dia e três à tarde?
Édipo respondeu que era o homem, porque engatinha quando criança, passa a vida andando sobre dois pés mas,velho, tem que recorrer a uma bengala. A Esfinge matou-se e Édipo, casando-se com Jocasta, tornou-se o rei de Tebas. 


     Tiveram quatro filhos. Os gêmeos Eteócles e Poliníces, Antígona e Ismênia. Foram felizes durante muitos anos. Mas, depois, uma peste assolou a cidade.
Édipo quis ir consultar Delfos, mas foi aconselhado a chamar Tirésias, um velhinho cego e sábio que vivia em Tebas. Este revelou que a causa era o assassino de Laios, que continuava na cidade. Édipo prometeu prendê-lo e matá-lo, mas o sábio revelou que ele mesmo era o assassino, porque Laios era o dono do carro que ele enfrentara.





     Jocasta, envergonhada, suicidou-se. Édipo furou os próprios olhos e renunciou ao trono. Cego, precisou ser guiado por Antígona para ir a Delfos. Aí soube que devia ir a um bosque sagrado, em Colonos, perto de Atenas. Ajudado por Teseu, rei de Atenas, chegou lá. Encontrou um lago, onde tomou banho, e uma caverna, onde penetrou depois de mudar de roupa. Entrou na eternidade.